Geraldo Azevedo: o menestrel de Petrolina

09:51 Carlos Castro Jr. 0 Comments


Douglas Love

   As canções de atmosferas densamente tristes e serenas que falam clara ou veladamente de amor e nos remete ao nordeste sertanejo, nem por isso seco e árido. È o mesmo nordeste alegre e inquieto das letras psicodélicas e de harmonias sofisticadas. Geraldo Azevedo em mais de 40 anos de carreira pode se gabar de ser um artista versátil.
   Com 22 álbuns gravados desde sua estreia em disco ao lado de Alceu Valença no obscuro Quadrafônico de 1972 até o recente tributo Salve São Francisco em que Geraldo apresenta um repertório conceitual sobre o rio São Francisco. O poeta soube como poucos manter um trabalho diversificado e luminoso.
   A preocupação com o Velho Chico foi um dos assuntos abordados pelo cantor em recente visita a cidade de Montes Claros.

    “A água é elemento fundamental da vida e as pessoas não tem o devido cuidado, parece que o recurso não se acaba. Eu nasci na beira do São Francisco e me banhei até os 18 anos sem saber o que é um chuveiro e depois, viajando como artista e passando por alguns lugares do rio, fiquei muito decepcionado com o curso do rio e o volume de água”, explica a razão do disco.

   Virtuoso e autoditada violonista, Azevedo em suas apresentações acalma o publico com sua voz doce e serena cantando Você se lembra, como assanha os ânimos com arranjos roqueiros em Bicho de sete cabeças.
   Nascido em Petrolina, no estado de Pernambuco, Geraldo teve seu primeiro violão confeccionado por seu pai e seus primeiros contatos com a música aos 10 anos de idade. Já na adolescência com profunda influência da bossa nova se inicia como compositor e radialista. A diversidade cultural do estado de Pernambuco e a musica folclórica fez com que Geraldo se afastasse um pouco do ritmo e ampliasse ainda mais seu leque musical.
  Migrou para o Rio de Janeiro a convite de Eliana Pittman e ao lado de outros compositores formou uma espécie de Avant-gard nordestina, na qual poetas como: Alceu Valença, Fagner, Ednardo e Zé Ramalho revolucionaram a música brasileira com um som regional moderno e absolutamente pop.
    Geraldo explica uma das suas maiores inspirações para compor: “A vida é muito bonita. Quem olha com olhos de esperança vê que a vida tem uma coisa muito linda de tudo: a natureza, as pessoas. Embora exista muito conflito, procuro sempre cantar pelo lado positivo, procurar dar uma dignidade ao ser humano através das canções. Acredito que a arte tem essa função, de elevar o ser a uma qualidade divina”, afirma o cantor.
.   “O Homem nunca se banha nas águas de um mesmo rio” ,segundo o filosofo grego Heráclito, assim é o trabalho de Geraldo Azevedo, um eterno fluir de sons e poesia nas águas do rio São Francisco ou nos palcos onde sua arte se faz notar e aplaudir.





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