Geraldo Azevedo: o menestrel de Petrolina
As
canções de atmosferas densamente tristes e serenas que falam clara
ou veladamente de amor e nos remete ao nordeste sertanejo, nem por
isso seco e árido. È o mesmo nordeste alegre e inquieto das letras
psicodélicas e de harmonias sofisticadas. Geraldo Azevedo em mais de
40 anos de carreira pode se gabar de ser um artista versátil.
Com
22 álbuns gravados desde sua estreia em disco ao lado de Alceu
Valença no obscuro Quadrafônico
de 1972 até o recente tributo Salve
São Francisco
em
que Geraldo apresenta um repertório conceitual sobre o rio São
Francisco. O poeta soube como poucos manter um trabalho diversificado
e luminoso.
A
preocupação com o Velho Chico foi um dos assuntos abordados pelo
cantor em recente visita a cidade de Montes Claros.
“A
água é elemento fundamental da vida e as pessoas não tem o devido
cuidado, parece que o recurso não se acaba. Eu nasci na beira do São
Francisco e me banhei até os 18 anos sem saber o que é um chuveiro
e depois, viajando como artista e passando por alguns lugares do rio,
fiquei muito decepcionado com o curso do rio e o volume de água”,
explica a razão do disco.
Virtuoso
e autoditada violonista, Azevedo em suas apresentações acalma o
publico com sua voz doce e serena cantando Você
se lembra,
como assanha os ânimos com arranjos roqueiros em Bicho
de sete cabeças.
Nascido
em Petrolina, no estado de Pernambuco, Geraldo teve seu primeiro
violão confeccionado por seu pai e seus primeiros contatos com a
música aos 10 anos de idade. Já na adolescência com profunda
influência da bossa nova se inicia como compositor e radialista. A
diversidade cultural do estado de Pernambuco e a musica folclórica
fez com que Geraldo se afastasse um pouco do ritmo e ampliasse ainda
mais seu leque musical.
Migrou
para o Rio de Janeiro a convite de Eliana Pittman e ao lado de outros
compositores formou uma espécie de Avant-gard nordestina, na qual
poetas como: Alceu Valença, Fagner, Ednardo e Zé Ramalho
revolucionaram a música brasileira com um som regional moderno e
absolutamente pop.
Geraldo
explica uma das suas maiores inspirações para compor: “A vida é
muito bonita. Quem olha com olhos de esperança vê que a vida tem
uma coisa muito linda de tudo: a natureza, as pessoas. Embora exista
muito conflito, procuro sempre cantar pelo lado positivo, procurar
dar uma dignidade ao ser humano através das canções. Acredito que
a arte tem essa função, de elevar o ser a uma qualidade divina”,
afirma o cantor.
. “O
Homem nunca se banha nas águas de um mesmo rio” ,segundo o
filosofo grego Heráclito, assim é o trabalho de Geraldo Azevedo, um
eterno fluir de sons e poesia nas águas do rio São Francisco ou nos
palcos onde sua arte se faz notar e aplaudir.


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